10/02/2016

(Invisibilidade)

 
Invisibilidade autoimposta
- © Lenise M. Resende -

No Dia Mundial da Fibromialgia (12/05) a imagem de um laço, que é um símbolo de solidariedade e de luta, acompanhado da frase "A dor pode ser invisível, nós não", foi divulgada na internet. Quando li essa frase, imediatamente lembrei da distimia, porque por maior que seja a dor que ela provoque, não pode ser vista por ninguém, e nem comprovada, pois não existem exames que demonstrem sua existência.

Porém, nós que somos portadores desse transtorno a sentimos, e podemos ser vistos por quem se dispõe a enxergar o nosso sofrimento, seja através do nosso rosto, da nossa postura, das nossas atitudes ou palavras. Mas, também somos nós, portadores desse transtorno, que evitamos mostrar o que as pessoas que convivem conosco evitam enxergar. E, por medo das críticas, distorções, ofensas e agressões, tentamos não demonstrar que temos essa doença sorrateira, cujas características muitas vezes são rotuladas como defeito. Um exemplo disso é a baixa energia para as atividades, que costuma ser confundida com a preguiça.

"A dor pode ser invisível, nós não." Somos nós que damos visibilidade a dor. E, quando conseguimos sobreviver a esse desastre chamado distimia, ficamos cobertos de cicatrizes (internas e externas). Mas falar sobre elas é uma coisa, mostrá-las é outra, bem mais difícil. Sendo assim, mesmo publicando um livro inspirado no Transtorno Distímico, continuei evitando tirar fotos.

Só agora, algum tempo após a publicação do livro, é que consigo enxergar as cicatrizes internas com mais clareza, e me sinto capaz de enfrentar os flashes de uma máquina de retrato. Quem sabe, após a publicação das fotos, eu comece a perder o medo de lidar com as cicatrizes externas, porque estou começando a me cansar dessa invisibilidade autoimposta.

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Nota - Crônica filosófica (reflexão a partir de um fato ou evento)
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